sábado, 19 de setembro de 2026

precisar de ti tem sido
uma necessidade
como urinar a meio da noite

não entendi
que havia uma verdade
antes que alvorada fosse

eu amar-te e precisar de ti
em cada sonho
cada cadência do meu ressonar

ter-te em cada livro que li
estavas tu nesse esconso
cada momento para respirar

nunca fui antes de ti
fui lendo pouco depois
mas o que aprendi

só propôs
o que quis um dia e após
o dia em que te perdi

domingo, 13 de setembro de 2026

pode ser fácil a tal felicidade
dar um beijo
dizer
            amo-te
e o dia fica mais leve
mais simples
então cai a noite
depois de um dia assim
            e tudo promete
            e consome

assim é meu desejo
a minha fome de ti
            amar-te com um beijo
            prometer-te o corpo
            e consumir-nos
sem haver fim

sim, pode ser fácil
a tal felicidade
muito devagar
mansinho
choras para mais nada veres
choras porque o mundo te diz
que não vale a pena

mansinho
muito devagar
limpas essas lágrimas
sais das paredes e há sol
quem te disse que não vale a pena?

o mundo?
que se foda o mundo

muito mansinho
devagar
acordas e segues a vida
as lágrimas tolhem-te a decisão
de qual rumo que te leve aonde queres ir
pode ser que valha a pena

o mundo?
será sempre o mundo.
há uma fome peculiar, muito íntima
    repara como a vergonha
    inflama o meu rosto de sangue

quiseste retratar-me
na mímica do ecrã como papel

guarda para recordares
o quanto esta fome me invade
já que coragem não tenho
para te invadir
com os meus despropósitos

foi por ter nascido a madrugada

mas é fome mesmo, muito íntima
    como canção
    que inflama o coração de saudade

o teu ecrã pode ser outro modo
    de fotografia como papel
    que eu guardaria na carteira
    entre documentos que me identificam
bastaria o teu rosto

ou um jogo  
    jigsaw 
que é cada recorte do teu corpo
    cada detalhe pormenorizado
retalhado para que te reconstrua
nesta inimizade que tenho comigo mesmo
e te contradiz

porque um dia
    vários dias, meses, anos
foste única e inteira
sem ter de me sacudir
inimizado comigo mesmo

em dias de calor
dentro das cuecas
onde não te encontro e nem sequer
ergo
salvação

muito menos que essa fome peculiar
    íntima
me seja totalmente saciada

há cores no céu nocturno
e tambores como trovões
dizendo
     que estrondo de festa é a nossa!

essa resiliência
das últimas romarias

as sardinhas gordas num fumo
de óleo puro
fervendo sobre a brasa
    são as últimas sardinhas

para onde vais?
    vou para a festa!
e o sorriso como grito
     - não me vencem! vou divertir-me!

de onde vens?
    venho da festa
e o sorriso 
    quase desfeito
    contradizendo
    o pesar
do quanto pesa o dia seguinte
que obriga voltar à realidade

o verão insistindo
quando é quase outono
e tão quentes ambos
a despedirem-se num abraço de sol
e pela madrugada fora dizendo
cada um
essa solidão
    premeditada
dos humanos

sábado, 12 de setembro de 2026

tu ensandeces e mentes
a minha carência
quando dizes
    tenho mamas
    e vulva latentes
    perante tua preguiça
porque hiberno
sem inverno 
que me diga
    se morto estás
    que o teu intento
    desdiga
que coração há e 
me contradiga?

eu ensandeço e minto
por descrença
quando digo
    mamas     vulva
    que delas minha carência
    e mais o que não persigo
se m´assalta o que digo
a desistir do que quero
e o teu coração sincero
    me desdiz
e quando me contradiz
    mais vale que eu 
    viva
desde que seja sempre inverno

domingo, 6 de setembro de 2026

meu rio e nossas margens
    tudo é meu
    tudo é nosso
desde a ponte ao nascente
até àqueloutra bem lá longe
    aplaudida
porque cicerone de um sol
que se põe e funde as cidades
com o mistério
que há depois do céu

precisar de ti

precisar de ti tem sido uma necessidade como urinar a meio da noite não entendi que havia uma verdade antes que alvorada fosse eu amar-te e ...