bato à tua porta
e tudo é feio porque não a abres
é feia a frontaria e sem jardim
sequer dente-de-leão crescendo
florescendo
ao acaso
repito uma saudade
como quem só vai ali
e logo volta
isso não é saudade
é repetição
malograda mimetização
de quando me sorrias
à janela
fumo cigarro sob o calor
e queimo-me
tenho sede
aquela sede
aquela que sabes
aquela que já não queres saciar
má cicerone és
e pior hospitaleira
certo que não me convidaste
mas esqueceste
como saciar a sede
do romeiro antigo
que outrora mendigava à tua porta
à tua janela
por onde sorrias
e acenavas
se nela ainda te procuro
é porque me contento
a ter por amor
um espinho
que me diz
quando e a razão
de ter desaparecido
qualquer aceno teu
sem ilação - faz a tua
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