sábado, 5 de setembro de 2026

bato à tua porta
e tudo é feio porque não a abres
é feia a frontaria e sem jardim
sequer dente-de-leão crescendo
florescendo
ao acaso

repito uma saudade
como quem só vai ali
e logo volta

isso não é saudade
é repetição
malograda mimetização
de quando me sorrias
à janela

fumo cigarro sob o calor
e queimo-me
tenho sede
aquela sede
aquela que sabes
aquela que já não queres saciar

má cicerone és
e pior hospitaleira
certo que não me convidaste
mas esqueceste
como saciar a sede
do romeiro antigo
que outrora mendigava à tua porta

à tua janela
por onde sorrias
e acenavas

se nela ainda te procuro
é porque me contento
a ter por amor
um espinho
que me diz 
quando e a razão

de ter desaparecido
qualquer aceno teu

sem ilação - faz a tua

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